Um pouco do que é viver este problema: bipolaridade, ou distúrbio de humor bipolar, ou depressão bipolar, ou TAB - Transtorno Afetivo Bipolar, já foi chamado de psicose maníaco-depressiva.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
o ambiente afeta
Não sei se isso acontece com todo mundo.
Mas vou contar uma situação interessante que ocorria comigo.
Eu lembro que antes da minha mãe se aposentar ela conseguiu voltar pras 40 horas no colégio (para se aposentar dessa forma, regras de aposentadoria da época - era já trabalhara 40 horas em outra época), mas ela trabalhava também na imobiliária, que ela e o meu pai haviam criado.
De forma que ela chegava muito cansada, irritada com toda aquela pressão de alunos e clientes.
O que eu lembro é que eu quando eu estava de bom humor, na sala, e minha mãe entrava pela porta da cozinha (a sala era ao lado da cozinha), mesmo não sabendo quem era, nem tendo visto ela ainda, meu humor mudava completamente - parece que eu absorvia no ar aquela irritação.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Noite X Dia
A primeira vez que li me chamou à atenção: fecha com a minha experiência.
Aí meu médico (que me acompanhava na época) repetiu.
Com quem tem depressão (e bipolaridade, nesse caso, não é diferente), ou está passando por isso (graças a Deus para muitos é um episódio único) se gasta toda a energia. E aí se leia "substâncias produzidas pelo cérebro". Explico: normalmente, a pessoa gasta energia, mas o organismo, na hora de dormir, guarda uma quantidade significativa para o que se poderia chamar (comparando com um motor) de "arranque" pela manhã - aquele "sair da cama" que exige uma energia danada. Quem está com depressão fica elétrico à noite e o organismo queima tudo, não guarda essa quantidade necessária para "pular de manhã". Assim, se torna difícil levantar.
Em geral, pra quem está com problemas deste tipo (depressão): levanta com um motor resfolegando (fazendo aquele "cof, cof") para tentar iniciar a funcionar de manhã, vai melhorando de tarde, e está com toda energia de noite - pelo menos foi que me explicaram e que li em vários artigos (quando der coloco alguma bibliografia aqui, mas posso citar como um dos melhores livros que li: Uma mente inquieta - de, ops! o nome é Kay Redfield Jamison, o testemunho da autora de sua convivência com a bipolaridade, uma vez que ainda não se conhece cura; e vários estudos apontam que atinge algo em torno de 1% da população).
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Folga (??!!!) - Que bom ... (??!!!)
Vou ficar no fato do atestado (que está mais perto de mim, no momento - sou servidor público): a sensação de ter que ficar parado e não trabalhar é horrível. Mas para quem está de fora parece ótimo.
Éh, não são coisas que se possa explicar para quem não passa por isso. (E ainda não quer ajudar com outras coisas ... - não QUER fazer nada. Como se explica que a doença é justamente falta de "vontade", de energia, para fazer as coisas? - seja o que se quer, seja o que não se quer mas é, ou seria, necessário fazer, tudo fica difícil - às vezes até a higiene pessoal como escovar os dentes ou fazer a barba - arg!) Conheço muita gente que achava um absurdo; até que teve um crise depressiva ...
Igualmente, ficar com vontade de ficar acordado noite a dentro, com energia de madrugada - e sem energia pela manhã, ao acordar (neste tema, eu volto).
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Aceitar …
Posso comparar com outra que eu tenho: tenho que usar óculos, e fazer de conta que não preciso não vai me ajudar a enxergar melhor.
Certa vez eu ouvia, e acho que vem do AA (Alcoólicos Anônimos), que o primeiro passo para a cura é aceitar o problema. O que não quer dizer passar o tempo todo em cima disso. Mas sempre vai ter gente para julgar que é falta de vontade: “Faz um esforço, você consegue …” Em relação a depressão, essa visão social é terrível, como bem falava a minha psicóloga: como se não fosse uma doença que te paralisa, que te incapacita, e sim simples e pura falta de vontade.
Esse tipo de preconceito porque não é uma perna cortada, que se pode ver, faz um mal danado. Mais ainda se vier dos familiares. E o pior, se você mesmo não aceita e não reconhece que tem um problema.
Muitos jogam, por conta, os remédios longe: e fazem da vida daqueles com quem eles convivem um inferno (não se faz mal apenas para si, mas para aqueles com quem convivemos, a quem amamos).
Como posso tomar vários remédios e ainda não aceitar? Essa é uma questão interessante. Gastar uma grana preta (médico, psicólogo, remédio, …) e ainda negar que existe uma doença de verdade (depois de 12 anos?!!). Mas a gente cai nessa e se machuca: gera culpa, o que é horrível, porque suga a força que se poderia utilizar para caminhar em frente se aceitássemos o problema.
E, engraçado, que deixando, por um pouco, a minha história de lado, que já vi isso acontecer em situações diversas: pais que perderam um filho negando que estão depressivos e precisando de ajuda profissional, por exemplo.
Ah! Para quem não sabe, cientistas já conseguiram visualizar o cérebro humano em estado depressivo: e realmente fica diferente. É uma doença catalogada, como a bipolaridade (TAB – Transtorno Afetivo Bipolar) e outras.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Voltando a postar – dificuldades no trabalho
*Se quiser ler só o essencial: leia o que está em azul.
Ontem, assistindo Faustão (onde eu estava, não tive escolha – rs; ainda bem que a companhia era boa) me ocorreu que se me organizasse para postar uma vez por semana (em vez de idealizar postar todo dia – me falta organização e disciplina – rs) meu blog funcionaria melhor. Ou melhor, são dois blogs.
Hoje, está ocorrendo uma situação difícil (que não tem nada a ver com esse blog, ou melhor, tem porque tem a ver comigo – hehe) que não vou comentar ainda. Então, vou deixar este “post” sobre um assunto é bem chato pra quem enfrenta problemas com depressão ou bipolaridade: a dificuldade dos colegas (de trabalho, em especial) de entender o que se passa.
E não é pessoal com ninguém. Trabalhei em vários locais diferentes nos últimos 15 anos (ou seja, desde que comecei a trabalhar em local que não fosse com a minha família – hehe). Faz 12 que tive a minha primeira crise “braba”. É complicado, afinal, muitas vezes nem a gente se entende (aliás, geralmente a gente não entende – se, para nós mesmos, fosse possível entender, talvez fosse possível fazer diferente).
É duro ser taxado de preguiçoso, incompetente ou irresponsável … quando os fatos utilizados para dizer isso são coisas das quais não se tem controle. E isso, de não ter controle, ocorre mesmo tomando remédio e fazendo terapia. Mas não é como um “corte na testa”, que se pode ver. Embora, a ciência já tenha conseguido observar que a atividade cerebral é diferente quando alguém está com depressão.
Ainda vai ter gente dizendo “pra que tomar remédios e gastar com médico e psicólogo …” mas deixemos essa última frase pra uma próxima. (Afinal, texto longo, em blog, é chato, não?!!)
