Um pouco do que é viver este problema: bipolaridade, ou distúrbio de humor bipolar, ou depressão bipolar, ou TAB - Transtorno Afetivo Bipolar, já foi chamado de psicose maníaco-depressiva.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Retomando, noivado, troca de trabalho, morar sozinho e meu cachorro
Primeiro o mais importante: fiquei noivo e estou muito feliz em estar planejando meu casamento. Embora, em cada crise, eu tenha medo de que vá tudo por água abaixo, que ela me deixe, é bom contar com alguém ao meu lado.
Quanto ao trabalho: eu estava dando aulas, mas voltei para o serviço administrativo como servidor público, pois, além de melhorar a renda, deixar colegas, alunos e pais de alunos perdidos nos dias em que não conseguia trabalhar foi bem complicado.
Mas foi bom redescobrir algo que só descobri no estágio no final da faculdade: eu gosto de dar aulas.
Fez bem inclusive para minha autoestima, afinal consegui dar conta de dar aulas para adolescente entre 10 e 14 anos, foram mais de duzentos alunos em dois anos.
E já que falei em autoestima, adotei um cachorro. Foi ótimo ter uma companhia já que estou morando sozinho há um ano. Mas meu primeiro cachorro quase destruiu meu apartamento. E eu sei que a culpa é mais minha do que dele, já que faltava o que fazer para o meu bichinho.
Ele ficou comigo de agosto a dezembro de 2011, quando viajei deixei com conhecidos que estavam morando na área rural e depois ele ficou mais um tempo por lá.
Mas quero voltar no fato de que notar que consigo tomar conta de um cachorro fez bem para minha autoestima, além da companhia dele.
Pretendo desenvolver esses tópicos (do título) nas próximas postagens.
Aliás, só notei que era bastante informação e mudanças agora que terminei de escrever.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Homens, mulheres, bipolaridade e nossa cultura
Explico: estou me referindo as dificuldades que o TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) podem provocar em relação ao trabalho (e, em geral, provocam).
É aceitável, culturalmente, que uma mulher seja sustentada pela família ou pelo marido, mas quanto ao homem isso já não é bem assim.
E não me refiro somente a forma como cada família lida com um membro cuja bipolaridade (dificuldade de saúde, só para repetir) atrapalha se desempenho profissional. Refiro-me também a visão que a sociedade tem dessa situação.
Usando um exemplo de uma outra situação. Hoje em dia, se o homem puder ter uma renda melhor em outro local para o qual tenham que se mudar, o casal pondera, e se resolverem fazê-lo, em geral, isso não gera maiores dramas sociais. Cito, por exemplo, quando o homem passa em um concurso para juiz, diplomata, delegado, ... A mulher acompanhá-lo, mesmo que tenha que deixar seu trabalho, é culturalmente algo aceito. Não que isso seja fácil para as mulheres que tem que vivenciar esse fato - muitas vezes, se não houver concordância, o casal se separa.
Mas quando é a mulher que tem uma chance profissional em um outro local, que vale a pena para o casal, se a mudança exige que o homem deixe o seu trabalho, e o casal resolve ir, é possível ouvir afirmações como: a profissão deste homem é "gigolô". Isso é preconceito (pré-conceito) puro (ouvi de alguém próximo e com bom esclarecimento - não vou citar). (Quem falou isso, não falou com maldade, mas fica explícito a visão cultural que se tem disso.)
E, para encerrar, isso não é apenas algo externo, a cobrança interna que advém da cultura na qual estamos inseridos, quando temos dificuldade com o trabalho, é muito pesada - e repito: tenho a impressão de que é mais pesado para o homem.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
conquistas - coisas positivas
- Passei num concurso para o Banco do Brasil onde trabalhei em torno de dois anos.
- Terminei minha faculdade que interrompi alguns meses depois da primeira crise.
- Passei em um concurso para a área administrativa da Polícia Federal, onde trabalho há uns quatro anos e meio.
Nem uma das coisas que citei foram fáceis, nem foram feitas sem enfrentar várias dificuldades ligadas a bipolaridade, como faltas, e dificuldade para controlar a ansiedade para poder fazer os trabalhos da faculdade.
Eu trabalhei em hotéis. Em outros empregos, mal consegui começar e acabei parando.
Comecei uma pós, mas não concluí. Por vários motivos, um deles vou citar no próximo post, outro é a questão de que havia passado no último concurso que cito e não consegui fazer o trabalho de conclusão enquanto estava começando no novo trabalho - participei de todas as aulas e passei em todas as disciplinas no primeiro ano, o que não andou foram os últimos seis meses que eram para o trabalho de conclusão (a pós tinha um ano e meio de duração).
Comecei outras faculdades que não consegui levar adiante por vários motivos, praticamente todos ligados aos problemas com a bipolaridade. Pois a faculdade de Filosofia eu havia iniciado porque queria ser sacerdote católico. E os padres do grupo em que eu estava me disseram que não era bom para mim continuar. Mesmo que os profissionais que eles me apontaram para que pudessem ter um retorno, em Curitiba onde eu morava, tivessem dito que mesmo com alguma dificuldade não havia nada que impedisse de continuar naquela caminhada.
Hoje, vejo que os outros rapazes com quem eu convivia não conseguiam aceitar que eu tivesse "regalias", como não ser cobrada de forma tão veemente quanto eles se me atrasasse para a oração da manhã, às 6h15, antes do café, e da aula na faculdade que começava as 7h30 - morávamos a três quadras da universidade (PUC-PR). E isso era difícil de lidar para os padres que cuidavam do grupo.
Só para concluir de forma mais positiva, depois de sair do seminário tive várias namoradas. A maioria, se não todas, meninas muito legais e generosas - digo generosas porque enfrentaram muitas barras comigo, a bipolaridade é algo que vai e vem.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Folga (??!!!) - Que bom ... (??!!!)
Vou ficar no fato do atestado (que está mais perto de mim, no momento - sou servidor público): a sensação de ter que ficar parado e não trabalhar é horrível. Mas para quem está de fora parece ótimo.
Éh, não são coisas que se possa explicar para quem não passa por isso. (E ainda não quer ajudar com outras coisas ... - não QUER fazer nada. Como se explica que a doença é justamente falta de "vontade", de energia, para fazer as coisas? - seja o que se quer, seja o que não se quer mas é, ou seria, necessário fazer, tudo fica difícil - às vezes até a higiene pessoal como escovar os dentes ou fazer a barba - arg!) Conheço muita gente que achava um absurdo; até que teve um crise depressiva ...
Igualmente, ficar com vontade de ficar acordado noite a dentro, com energia de madrugada - e sem energia pela manhã, ao acordar (neste tema, eu volto).
