Um pouco do que é viver este problema: bipolaridade, ou distúrbio de humor bipolar, ou depressão bipolar, ou TAB - Transtorno Afetivo Bipolar, já foi chamado de psicose maníaco-depressiva.

domingo, 11 de outubro de 2009

Moda, modismo ...

Coisa que incomoda é essa tal de moda.  Explico: acho que eu já comentei que tão receitando anti-depressivo pra tudo (seguido, isso sai na TV), e, pior ainda, tem muita gente tomando esse tipo de remédio sem indicação médica?!!!
O que falo é que como qualquer coisa virou "depressão", quem tem dificuldades sérias desse tipo é visto como mais um que reclama sem motivo.

O engraçado é que, mais de 20 anos atrás, quando um amigo meu teve uma crise depressiva (o diagnóstico, mais tarde, foi de bipolaridade), e isso não era conhecido, o problema é que isso era taxado de loucura (não que ainda não seja, infelizmente - sempre tem gente que tá disposta a julgar os outros por "achismo", ou prefere fazer de conta que não sabe para poder "descer o porrete" nos outros).

Hoje, como é comum a "tal depressão", quem realmente enfrenta problemas sérios deste tipo fica com dificuldade para mostrar o quão sério é o problema que enfrenta.

Ou seja, de qualquer jeito, quem tem dificuldades é que leva a pior: ou é louco, ou é mentiroso.  Para ajudar, tem aqueles que usam atestados para viajar, e outras maracutaias.  De novo, quem sofre é quem tem que se afastar do trabalho por problemas reais, mas que "não podem ser vistos a olho nu".

sábado, 10 de outubro de 2009

Remédios e ...

Bah (sou gaúcho!)! Tô melhor, voltei ao trabalho e não postei muita coisa nos últimos dias.

Mas tava pensando aqui sobre os ditos remédios.

CONVIVENDO COM A MEDICAÇÃO
Desde que descobri essa dificuldade de saúde, a bipolaridade (acho eu, pelo que me disseram alguns médicos - diagnóstico é uma coisa tão incerta), tive que aprender a conviver com remédios de uso constante.

Não é nada agradável: um pra levantar o humor, outro para não ir nas nuvens - explico: em momentos de euforia se perde a noção de limite, de perigo, se gasta mais do que a gente pode, ...  Mas é bem ruim ter tomar remédios que mexem no humor: fazem a gente ver a vida com menos cor.

EFEITOS COLATERAIS
E isso é só uma parte.  Os efeitos colaterais ...: dor de cabeça, tontura, boca seca, ... vai de mexer com a questão sexual a inúmeras outras coisas.

E ainda tem gente que acha que eu gosto de remédio?!!!  Quem dera poder jogá-los todos bem longe e não precisar mais deles!

A IMPORTÂNCIA DOS REMÉDIOS
Ao mesmo tempo, agradeço a Deus porque temos esses recursos.  De novo, explico: nesses 12 anos brigando com isso (sabendo disso, acho que as coisas são mais antigas um pouco, olhando para trás hoje) fiquei um ano e pouco sem remédios.  Parei com orientação médica.  Mas foi o suficiente para ver o quanto a vida pode ser pior, para quem precisa, se tiver que ficar sem esse tipo de apoio.

E sei de muita gente, com bipolaridade, com depressão, ... que parou os remédios, o tratamento, por conta.  Sofre não só a pessoa, mas todos os que convivem com ela.

AUTO-MEDICAÇÃO
E olha que sou totalmente contra auto-medicação e que quem não precisa tome remédios - especialmente antidepressivos.

COMENTÁRIO
Acabei de ficar bem colocado em um concurso, e sei que não estou 100% (se é que isso é possível, seja lá para quem for - com ou sem problemas de saúde).  Estudei quando foi possível, e o tempo que aguentava (por causa de dores de cabeça, ansiedade, ...).  Imagino que seria bem pior, sem apoio.

AGRADEÇO A DEUS, E AOS QUE SE DEDICAM A ISSO, PELA EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA!!!!  E QUE CONTINUE EVOLUINDO SEMPRE MAIS.

sábado, 19 de setembro de 2009

Eleição

Recebi de amigos a imagem abaixo e acho que seria muito bom se fizemos isso acontecer, especialmente depois da história do Sarney (sem falar de outras que ouvi na eleição para vereador em minha cidade: Passo Fundo - RS, onde um amigo meu, que, se tem seus defeitos, queria fazer algo de bom pela população e pela cidade - acredite quem quiser! - e viu a velha compra de votos com cestas básicas e ficou indignado; é triste, que no Brasil de hoje, seja mais fácil acreditar na compra de votos do que em um candidato que queira fazer algo de bom) - aliás, lia, ontem, que na sua defesa na tribuna ele se vangloriava de estar há 55 anos no Senado?!! Desde quando isso é defesa para alguém???!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Homens, mulheres, bipolaridade e nossa cultura

Me parece que a cultura brasileira, pelo menos como eu a vivo e observo, pode ser bem mais cruel com os homens, do que com as mulheres, que tem bipolaridade. 
Explico: estou me referindo as dificuldades que o TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) podem provocar em relação ao trabalho (e, em geral, provocam).
É aceitável, culturalmente, que uma mulher seja sustentada pela família ou pelo marido, mas quanto ao homem isso já não é bem assim.
E não me refiro somente a forma como cada família lida com um membro cuja bipolaridade (dificuldade de saúde, só para repetir) atrapalha se desempenho profissional.  Refiro-me também a visão que a sociedade tem dessa situação.
Usando um exemplo de uma outra situação.  Hoje em dia, se o homem puder ter uma renda melhor em outro local para o qual tenham que se mudar, o casal pondera, e se resolverem fazê-lo, em geral, isso não gera maiores dramas sociais.  Cito, por exemplo, quando o homem passa em um concurso para juiz, diplomata, delegado, ...  A mulher acompanhá-lo, mesmo que tenha que deixar seu trabalho, é culturalmente algo aceito.  Não que isso seja fácil para as mulheres que tem que vivenciar esse fato - muitas vezes, se não houver concordância, o casal se separa.
Mas quando é a mulher que tem uma chance profissional em um outro local, que vale a pena para o casal, se a mudança exige que o homem deixe o seu trabalho, e o casal resolve ir, é possível ouvir afirmações como: a profissão deste homem é "gigolô".  Isso é preconceito (pré-conceito) puro (ouvi de alguém próximo e com bom esclarecimento - não vou citar).  (Quem falou isso, não falou com maldade, mas fica explícito a visão cultural que se tem disso.)
E, para encerrar, isso não é apenas algo externo, a cobrança interna que advém da cultura na qual estamos inseridos, quando temos dificuldade com o trabalho, é muito pesada - e repito: tenho a impressão de que é mais pesado para o homem.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

facilidade: intelectual, artística e/ou criativa

Em contraponto às dificuldades que citei no último post, parece que algumas coisas que podem ser consideradas positivas também são comuns a quem tem TAB.
Parece que também é comum uma grande facilidade na área intelectual e/ou de criatividade, o que aparece na parte artística, por exemplo (essa questão, da arte, não é o meu caso - risos -, pelo menos até agora), para quem enfrenta bipolaridade. Há quem cite Mozart, e outros artistas, e também intelectuais conhecidos do passado, como pessoas que pela forma como agiam (pelas informações que se tem) provavelmente eram bipolares (tanto que suas vidas pessoais era bastante instáveis: e aqui, para quem não entende, não se está falando de questões morais, mas de tristeza e inanição de um lado, e arroubos de muita energia para fazer muitas coisas em outros momentos - o que gera, muitas vezes, problemas nas relações pessoais).
E como dizia minha amiga, se mesmo com facilidade é difícil para nós algo como cursar uma faculdade, imagine se não fosse assim (se não tivéssemos facilidade alguma).
Outra coisa comum em relação as pessoas que enfrentam esse problema parece ser que elas tem uma grande sensibilidade para os grandes problemas que a sociedade que (n)os cerca sofre - e sofrem(os) com isso.
Embora, uma das coisas que mais aprendi, nesses doze anos convivendo com essa dificuldade de saúde foi compaixão: nunca se sabe que sofrimentos uma pessoa está passando. Nós, por exemplo, de tanto que se repetem os altos e baixos, nos tornamos especialistas em não mostrar o que se passa dentro de nós (estamos sorrindo quando, na verdade, estamos arrebentados por dentro - isso coloco como afirmação porque li em artigos de quem fez estudos com muita gente que enfrenta problemas de depressão crônica como TAB; um médico me indicou o site http://www.psiqweb.med.br/ que tem vários artigos interessantes).
 
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