Um pouco do que é viver este problema: bipolaridade, ou distúrbio de humor bipolar, ou depressão bipolar, ou TAB - Transtorno Afetivo Bipolar, já foi chamado de psicose maníaco-depressiva.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Depressão & Religião

INTRODUÇÃO
Esse é um assunto que me é bem próximo.  Sou bastante religioso.  Mas devido a dificuldade com a bipolaridade tive várias crises.  Tais crises, hoje, eu chamaria de parte da caminhada espiritual.

Mas não é esse o objetivo deste post.  No final, eu falo qual a minha religião.  A questão é se a religião pode ajudar ou atrapalhar.  Acho que as duas coisas podem acontecer.

AJUDA OU ATRAPALHA?
Quando a religião serve como esteio, base de apoio, ela é muito importante.  Pois, para citar o exemplo extremo, há um alto índice de suicídio entre aqueles que sofrem com o Distúrbio de Humor Bipolar.  Falo por mim, pois foi na fé, no contato com Deus, que encontrei forças para continuar. 

E não estou desmerecendo e nem dizendo que não foi importante as outras formas de apoio.  Tanto que, em uma das postagens anteriores ("Remédios e ...") eu deixo bem claro que considero importante o apoio médico.  Penso também que o auxílio de psicólogos(as), a psicoterapia, ajuda muito.

Aliás, é justamente aqui que a religião pode atrapalhar.  Por ignorância (no sentido de falta de conhecimento mesmo) ou fanatismo, tem gente que diz "basta ter fé", ou que o problema é "falta de fé".  Olha isso é a pior coisa para alguém que é religioso ouvir pois faz a pessoa se sentir culpada.  E se sentir culpado por uma doença que se tem e que não se sabe exatamente as causas, cuja origem muitos estudiosos afirmam ser de origem genética, é algo que põe a pessoa ainda mais para baixo.  E isso é perigoso para alguém com depressão, pois agrava o quadro.  Aumenta a chance de suicídio, por exemplo.  Aliás, Jesus combateu a idéia de que as doenças das pessoas tinham sua origem nos pecados que elas tinham praticado, ou, pior ainda, que seus pais, ou ancestrais, haviam cometido.

E para piorar, muitos dessas pessoas de fé dizem ainda que não é necessário remédios.  E, assim, atrapalham o tratamento de quem precisa dele.  Pois, muitas vezes é alguém próximo dizendo isso.  Alguém em quem o doente confia: um familiar, um amigo, um padre, pastor, ...

PENSE BEM ...
Então, pense bem antes de dizer a alguém que a depressão da qual ela sofre é: "falta de fé".  Já foi comprovado cientificamente as mudanças no cérebro de quem tem depressão, ou seja, de quem está com este tipo de DOENÇA.  E perdoe aos ignorantes que disserem isso para você (muitas vezes eles querem ajudar, mas não sabem como).

MINHA FÉ
Acredito que a fé pode remover montanhas, como dizia Jesus.  Sou católico.  E acredito em milagres.  Ele, nosso Deus, pode curar qualquer doença: diabetes, câncer, ...  Mas isso não acontece o tempo todo.  (Você conhece alguém próximo que foi curado de alguma doença que os médicos consideram incurável?)  Rezo como naquela passagem, que também é um canto conhecido pelos católicos, "creio Senhor, mas aumentai minha fé".

DEPRESSÃO
Para finalizar, note que no título escrevi "depressão" e não bipolaridade porque acredito que o que digo serve para todos os que sofrem de depressão.

MANIA
Mas para os que passam por períodos de mania (= euforia) também pode ser positivo ter uma religião de esteio, de referência, para não fazer loucuras das quais iremos nos arrepender depois.

CIÊNCIA
Enfim, a ciência já comprovou por pesquisas, embora não saiba o porquê, que as pessoas que tem uma religião, uma fé forte, se recuperam mais rápido, ou enfrentam melhor, dificuldades de saúde.

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domingo, 11 de outubro de 2009

Moda, modismo ...

Coisa que incomoda é essa tal de moda.  Explico: acho que eu já comentei que tão receitando anti-depressivo pra tudo (seguido, isso sai na TV), e, pior ainda, tem muita gente tomando esse tipo de remédio sem indicação médica?!!!
O que falo é que como qualquer coisa virou "depressão", quem tem dificuldades sérias desse tipo é visto como mais um que reclama sem motivo.

O engraçado é que, mais de 20 anos atrás, quando um amigo meu teve uma crise depressiva (o diagnóstico, mais tarde, foi de bipolaridade), e isso não era conhecido, o problema é que isso era taxado de loucura (não que ainda não seja, infelizmente - sempre tem gente que tá disposta a julgar os outros por "achismo", ou prefere fazer de conta que não sabe para poder "descer o porrete" nos outros).

Hoje, como é comum a "tal depressão", quem realmente enfrenta problemas sérios deste tipo fica com dificuldade para mostrar o quão sério é o problema que enfrenta.

Ou seja, de qualquer jeito, quem tem dificuldades é que leva a pior: ou é louco, ou é mentiroso.  Para ajudar, tem aqueles que usam atestados para viajar, e outras maracutaias.  De novo, quem sofre é quem tem que se afastar do trabalho por problemas reais, mas que "não podem ser vistos a olho nu".

sábado, 10 de outubro de 2009

Remédios e ...

Bah (sou gaúcho!)! Tô melhor, voltei ao trabalho e não postei muita coisa nos últimos dias.

Mas tava pensando aqui sobre os ditos remédios.

CONVIVENDO COM A MEDICAÇÃO
Desde que descobri essa dificuldade de saúde, a bipolaridade (acho eu, pelo que me disseram alguns médicos - diagnóstico é uma coisa tão incerta), tive que aprender a conviver com remédios de uso constante.

Não é nada agradável: um pra levantar o humor, outro para não ir nas nuvens - explico: em momentos de euforia se perde a noção de limite, de perigo, se gasta mais do que a gente pode, ...  Mas é bem ruim ter tomar remédios que mexem no humor: fazem a gente ver a vida com menos cor.

EFEITOS COLATERAIS
E isso é só uma parte.  Os efeitos colaterais ...: dor de cabeça, tontura, boca seca, ... vai de mexer com a questão sexual a inúmeras outras coisas.

E ainda tem gente que acha que eu gosto de remédio?!!!  Quem dera poder jogá-los todos bem longe e não precisar mais deles!

A IMPORTÂNCIA DOS REMÉDIOS
Ao mesmo tempo, agradeço a Deus porque temos esses recursos.  De novo, explico: nesses 12 anos brigando com isso (sabendo disso, acho que as coisas são mais antigas um pouco, olhando para trás hoje) fiquei um ano e pouco sem remédios.  Parei com orientação médica.  Mas foi o suficiente para ver o quanto a vida pode ser pior, para quem precisa, se tiver que ficar sem esse tipo de apoio.

E sei de muita gente, com bipolaridade, com depressão, ... que parou os remédios, o tratamento, por conta.  Sofre não só a pessoa, mas todos os que convivem com ela.

AUTO-MEDICAÇÃO
E olha que sou totalmente contra auto-medicação e que quem não precisa tome remédios - especialmente antidepressivos.

COMENTÁRIO
Acabei de ficar bem colocado em um concurso, e sei que não estou 100% (se é que isso é possível, seja lá para quem for - com ou sem problemas de saúde).  Estudei quando foi possível, e o tempo que aguentava (por causa de dores de cabeça, ansiedade, ...).  Imagino que seria bem pior, sem apoio.

AGRADEÇO A DEUS, E AOS QUE SE DEDICAM A ISSO, PELA EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA!!!!  E QUE CONTINUE EVOLUINDO SEMPRE MAIS.

sábado, 19 de setembro de 2009

Eleição

Recebi de amigos a imagem abaixo e acho que seria muito bom se fizemos isso acontecer, especialmente depois da história do Sarney (sem falar de outras que ouvi na eleição para vereador em minha cidade: Passo Fundo - RS, onde um amigo meu, que, se tem seus defeitos, queria fazer algo de bom pela população e pela cidade - acredite quem quiser! - e viu a velha compra de votos com cestas básicas e ficou indignado; é triste, que no Brasil de hoje, seja mais fácil acreditar na compra de votos do que em um candidato que queira fazer algo de bom) - aliás, lia, ontem, que na sua defesa na tribuna ele se vangloriava de estar há 55 anos no Senado?!! Desde quando isso é defesa para alguém???!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Homens, mulheres, bipolaridade e nossa cultura

Me parece que a cultura brasileira, pelo menos como eu a vivo e observo, pode ser bem mais cruel com os homens, do que com as mulheres, que tem bipolaridade. 
Explico: estou me referindo as dificuldades que o TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) podem provocar em relação ao trabalho (e, em geral, provocam).
É aceitável, culturalmente, que uma mulher seja sustentada pela família ou pelo marido, mas quanto ao homem isso já não é bem assim.
E não me refiro somente a forma como cada família lida com um membro cuja bipolaridade (dificuldade de saúde, só para repetir) atrapalha se desempenho profissional.  Refiro-me também a visão que a sociedade tem dessa situação.
Usando um exemplo de uma outra situação.  Hoje em dia, se o homem puder ter uma renda melhor em outro local para o qual tenham que se mudar, o casal pondera, e se resolverem fazê-lo, em geral, isso não gera maiores dramas sociais.  Cito, por exemplo, quando o homem passa em um concurso para juiz, diplomata, delegado, ...  A mulher acompanhá-lo, mesmo que tenha que deixar seu trabalho, é culturalmente algo aceito.  Não que isso seja fácil para as mulheres que tem que vivenciar esse fato - muitas vezes, se não houver concordância, o casal se separa.
Mas quando é a mulher que tem uma chance profissional em um outro local, que vale a pena para o casal, se a mudança exige que o homem deixe o seu trabalho, e o casal resolve ir, é possível ouvir afirmações como: a profissão deste homem é "gigolô".  Isso é preconceito (pré-conceito) puro (ouvi de alguém próximo e com bom esclarecimento - não vou citar).  (Quem falou isso, não falou com maldade, mas fica explícito a visão cultural que se tem disso.)
E, para encerrar, isso não é apenas algo externo, a cobrança interna que advém da cultura na qual estamos inseridos, quando temos dificuldade com o trabalho, é muito pesada - e repito: tenho a impressão de que é mais pesado para o homem.
 
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